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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fernanda coloca a Criança em Foco

Família Roche: pilar da mãe empreendedora Fernanda
Fernanda Roche dá uma bela definição para o que pensa ser o empreendedorismo materno: “é a transformação em realização profissional de algo que a maternidade lhe permitiu, como um saber especial, um interesse novo, uma idéia inovadora ou criativa inspirada pela experiência mais marcante na vida de uma mulher”. E assim aconteceu com ela. 


A partir do nascimento das filhas e com a certeza de que “o vínculo afetivo desenvolve mais do que a precoce escolaridade”, ela deu início às atividades do Projeto Criança em Foco, que completa doze anos e já tem unidades por todo país.

O objetivo do projeto é “oferecer suporte para famílias em formação, priorizando o desenvolvimento de bebês, crianças, seus pais e cuidadores”. Fernanda conta que ele “foi pioneiro em sua proposta inovadora de Formação para Babás e Estimulação de Bebês e atualmente abrange inúmeras propostas que incrementam a formação do apego entre pais e filhos e promove uma unidade de linguagem em torno da criança pequena”.

O Projeto teve seu início em março de 2000 no Rio de Janeiro, com unidades em Ipanema e na Barra da Tijuca, e hoje já está em Niterói (RJ) e Curitiba (PR). Mas apesar de tanta história, o compromisso segue o mesmo, e é “manter uma equipe coesa, equilibrada, empenhada em seus estudos e prática e em ampliar cada vez mais o aspecto clínico-preventivo desta proposta”. Fernanda se diz realizada. “Nesta fase, sinto que alcancei o que queria do ponto de vista profissional e em relação aos resultados que colhemos, mas sinto que gestão é algo extremamente desafiador que temos que permanentemente aprender. Contar com especialistas em cada área me parece a melhor saída”, afirma. 

E a realização é da família toda. Família que foi fundamental para Fernanda quando ela resolveu se empenhar no projeto. Suas filhas Anna Luiza (17 anos) e Mariana (14) são sua maior inspiração e, segundo ela, seu melhor cartão de visitas. “Elas perceberam que ali estava sendo continuada a história delas – inclusive com seus brinquedos antigos - e eu sempre fiz questão de dizer que elas foram as grandes “responsáveis” por aquele empreendimento e pelo sucesso que alcançamos”, diz.

O lado bom é todo este retorno, nos âmbitos profissional e pessoal. O lado ruim de empreender, no caso de Fernanda, é estar na contramão. “A pressão maior vem do fato de que as famílias e a sociedade apressam imensamente a infância, e nós estamos na contramão disto”. Apostando no vínculo e no cuidado, Fernanda empreende para contribuir com a formação de novas e felizes famílias.

Leia mais sobre o interessante e bem sucedido trabalho desta mãe empreendedora na entrevista que ela concedeu ao nosso blog.

Blog EM: Conte um pouco sobre a sua iniciativa: o que é? Como funciona?
Fernanda: Nesta iniciativa, reuni meus 20 anos de estudos e prática em psicodiagnósticos, psicoterapia com orientação psicanalítica de crianças e adultos e de acompanhamentos aos pais à minha própria vivência materna. Como tantas outras profissionais, dividida entre meu trabalho e a tarefa única de cuidar de minhas filhas questionei-me, por diversas vezes, sobre a capacidade das babás de compreender, de fato, o mundo das crianças. Surgia, então, o projeto do Curso de Formação de Babás, que deu início ao Projeto CRIANÇA EM FOCO. Partindo para desenvolver meu trabalho mais voltado à área da prevenção e de promoção da saúde, em 1997, idealizei e iniciei as pesquisas para dar forma ao Projeto Criança em Foco. Neste percurso, durante três anos, dediquei-me à aproximação com áreas afins, como pediatria, odontopediatria, neonatologia, neuropediatria, fonoaudiologia, nutrição, psicomotricidade e educação. A partir desta iniciativa, contando com uma equipe multidisciplinar autônoma e em permanente atualização, desde março de 2000 venho acompanhando famílias e profissionais que tenham como função ajudar a cuidar de crianças em casa e nas escolas de educação infantil. Em 2002, mudei-me com minha família para Curitiba, onde implantei o Projeto Criança em Foco com resultados ainda mais surpreendentes. Hoje dirijo e supervisiono a unidade de Curitiba e coordeno a implantação do projeto em outras cidades no Brasil. O Projeto Criança em Foco tem como missão oferecer suporte para famílias em formação, priorizando o desenvolvimento de bebês, crianças, seus pais e cuidadores. Foi pioneiro em sua proposta inovadora de Formação para Babás e Estimulação de Bebês e atualmente abrange inúmeras propostas que incrementam a formação do apego entre pais e filhos e promove uma unidade de linguagem em torno da criança pequena.

Como era seu trabalho antes e como é agora? Você realizou o que queria quando resolveu empreender?
O Projeto teve seu início em março de 2000 no Rio de Janeiro, com unidades em Ipanema e na Barra da Tijuca, e em dois anos de funcionamento formou quatrocentas profissionais e atendeu a diversas famílias em encontros semanais para orientações acerca do desenvolvimento infantil. Contou com uma equipe de excelentes profissionais autônomos composta por psicólogas, pediatras, nutricionista, educadoras, musicoterapeuta e consultoras financeira e doméstica.
Em 2002, devido à minha mudança para Curitiba, no Paraná, o Projeto ganhou mais duas unidades, em Niterói, onde nos dois anos seguintes foi desenvolvido um sério trabalho exclusivamente com Formação de Babás pela psicóloga Marisa Vidal; e em Curitiba, onde desde 2002 o espaço vem atendendo a inúmeras famílias em diversas propostas e se firmando cada vez mais entre a sociedade como uma instituição séria, dedicada à atualização e comprometida com os bons valores.
De outubro de 2004 a janeiro de 2007, a unidade do Rio de Janeiro em Ipanema foi reaberta, com sua coordenação local terceirizada e manteve o compromisso de levar às famílias a mesma qualidade em serviços e atendimento personalizado, focado no Curso de Formação de Babás. Enquanto esteve ativa, esta unidade manteve a mesma séria equipe multidisciplinar que colaborava com o sucesso do projeto desde 2000, ainda sob a minha coordenação geral.
Em Curitiba, o projeto Criança em Foco vem ampliando ainda mais seu alcance, sua equipe multidisciplinar e áreas de atividades, sempre comprometida em ouvir as famílias e com a ética, atualização, qualidade de serviços e responsabilidade social. Inicialmente, fizemos parceria com uma rede de lojas de produtos para bebês onde foi cuidadosamente projetado um cenário de quarto de criança para que nossas atividades acontecessem de forma confortável.
Em outubro de 2005, devido ao grande alcance de nossas propostas e sempre visando a excelência na prestação de serviços e consultorias na área de Desenvolvimento Infantil, foi inaugurado o Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco, pioneiro no sul do país.
Com um projeto arquitetônico idealizado especialmente para permitir o pleno desenvolvimento das atividades com bebês e crianças desde recém-nascidos até seis anos de idade, nosso espaço acolhe semanalmente com muito conforto, higiene e carinho os bebês, as crianças, seus familiares e cuidadores para uma prazerosa convivência.
O projeto Criança em Foco guarda o diferencial de direcionar seu interesse, estudo e atuação exclusivamente a cada criança em especial, a cada família, a cada mãe, a cada pai, a cada cuidador em desenvolvimento como pessoas que fazem parte de uma engrenagem, que precisa funcionar de forma saudável em torno das crianças e mantém cuidadosamente, há quase dez anos, a prerrogativa de ficar distante do mercado de agências de babás.
Desde 2010, quando retornei de uma temporada na Inglaterra para cursar meu Mestrado em Saúde Mental Infantil, foram implantados novos programas baseados na minha experiência na Clínica Tavistock, além de grupos de estudos e supervisões com a equipe, e ciclos de palestras continuados para pais e profissionais de saúde e Educação.
A completar em março próximo doze anos de atividades, nosso compromisso segue em manter uma equipe coesa, equilibrada, empenhada em seus estudos e prática e em ampliar cada vez mais o aspecto clínico-preventivo desta proposta. Nesta fase, sinto que alcancei o que queria do ponto de vista profissional e em relação aos resultados que colhemos, mas sinto que gestão é algo extremamente desafiador que temos que permanentemente aprender. Contar com especialistas em cada área me parece a melhor saída.  

Quais as facilidades e dificuldades de empreender sendo mãe?
A dedicação que se tem que imprimir ao empreender e inovar é imensa, e exige muita parceria com a família. Convoquei minha família para participar, meu marido sempre adorou bebês e crianças e minhas filhas também. Assim, nestes 12 anos, partilhamos das alegrias e de cada conquista com grande entusiasmo. Elas perceberam que ali estava sendo continuada a história delas – inclusive com seus brinquedos antigos - e eu sempre fiz questão de dizer que elas foram as grandes “responsáveis” por aquele empreendimento e pelo sucesso que alcançamos. Minhas filhas são meu melhor cartão de visita!

Qual o lado bom e o lado ruim?
Talvez o lado ruim seja que você perde um pouco o controle do crescimento e tem que cuidar muito para que não se corrompa a proposta mediante as pressões do mercado. No nosso caso, a pressão maior vem do fato de que as famílias e a sociedade apressam imensamente a infância, e nós estamos na contramão disto, acreditando que o vínculo afetivo desenvolve mais do que a precoce escolaridade.
O lado bom é o de todo dia, de ter o privilégio de ver os bebês se desenvolverem, os pais aprenderem com os filhos, os profissionais se especializarem. Ajuda muito a falta de rotina e sentir que você criou algo que faz diferença na vida das pessoas. O trabalho em equipe, construído ao longo dos anos, é extremamente gratificante também, gerar crescimento profissional para colegas mais jovens, contar com seu entusiasmo e iniciativas e trocar aprendizagens têm sido um prazer enorme.

O que é empreendedorismo materno para você?
O que eu entendo sobre esta expressão é a transformação em realização profissional de algo que a maternidade lhe permitiu, como um saber especial, um interesse novo, uma idéia inovadora ou criativa  inspirada pela experiência mais marcante na vida de uma mulher. Assim foi para mim.

Em sua opinião, por que as mães optam por este formato de trabalho?
Acho que porque a maternidade lhes ampliou o universo de uma forma única.

Você acha este fenômeno algo positivo ou negativo para a vida das mulheres?
Desde que a mulher encontre sua realização, seja o empreendedorismo associado à maternidade ou não, acho extremamente positivo. Mulheres são corajosas, dinâmicas, curiosas e são capazes de liderar equipes com maestria, quando apoiadas pela família.

É um modo sustentável de conciliar carreira e maternidade?
Acredito que sim, embora reconheça que toda mulher, mesmo aquela que - como eu - escolhe empreender numa área associada à maternidade, está sujeita a uma dupla jornada e com ela precisar contar com uma rede de apoio que seja eficiente.

Que dica daria a quem quer se tornar uma mãe empreendedora?
Observe e conheça seu filho. Conheça seus interesses, persiga sua curiosidade crescente e certamente alguma idéia brilhante irá surgir.

Gostou do trabalho da Fernanda?
Entre em contato com ela!
Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para Fafi, cultura e arte e criatividade rimam com maternidade

Uma conversa no consultório do pediatra de seus filhos uniu Fafi Prado e Elenira Peixoto. Atrizes, educadoras e sacudidas pelas experiências de maternidade, elas sentaram, conversaram e assim nasceu uma linda idéia: promover cultura e arte para bebês. Além de espetáculos teatrais, a CiaZin, realiza também oficinas de arte, contação de histórias e encontros culturais para pais e educadores focados no tema da primeiríssima infância (de 0 a 3 anos).

Fafi afirma que a maternidade a fez uma artista melhor: “Passei a entender a maternidade também como um momento extremamente produtivo, onde todos os esforços estão voltados para o que realmente interessa. Seja abrir um negócio ou colocar uma simples ideia em prática”, conta. Para ela, “algumas mulheres mais inquietas aproveitam essa deixa para canalizar a energia na retomada do trabalho”. E ela atesta: empreender não é coisa só de mulher. Um amigo resolveu estudar Filosofia, porque queria ter fundamentos para conversar com o filho.

Nesta entrevista ao nosso blog, Fafi conta a história do nascimento na CiaZin. Um desafio, segundo ela, pelas dificuldades inerentes ao mundo do teatro e da cultura no Brasil, mas também porque se trata de “desbravar um segmento pouco conhecido no país, que é a categoria de Teatro para bebês”.

Espetáculo "O que eu sonhei?". Divulgação.
As facilidades são muitas, além de poder acompanhar melhor as primeiras vivências dos filhos. Mas para ela, a criatividade e a atenção despertadas pela maternidade abriram caminhos, “o que para o trabalho artístico é um ganho”.

Confira abaixo a entrevista de Fafi na íntegra.

Blog EM: Conte um pouco sobre a sua iniciativa: o que é? Como funciona?
Fafi Prado: Há dois anos, criei a Cia.Zin de Teatro para Bebês junto com uma amiga, a Elenira Peixoto. Além do espetáculo, fazemos também oficinas de arte, contação de histórias e encontros culturais para pais e educadores focados no tema da primeiríssima infância, ou seja, de 0 a 3 anos.

Como surgiu a idéia?
Nós nos conhecemos na sala de espera do pediatra dos nossos filhos (o pediatra Cacá). Ele mesmo apresentou a gente dizendo: “Vocês duas tem muito em comum. São atrizes, educadoras e tem filhos pequenos. Vocês deviam conversar…”. Nós topamos e começamos os ensaios na sala de nossas casas, ainda amamentando! Eu tinha pedido um afastamento das escolas onde trabalho como professora de teatro. Decidi prolongar a licença maternidade e ficar um ano inteiro dedicada ao meu filhote. Foi um privilégio! Observava, brincava, conversava muito com ele, hoje com dois anos e meio. Eu fiquei intensamente mergulhada no universo dos bebês. Anotava tudo, escrevia diários, fotografava. Até comecei a escrever um blog. Um dia fomos assistir ao Grupo espanhol La Casa Incierta que estava trazendo para o Brasil a ideia de Teatro para Bebês. Foi aí que caiu a minha ficha: Como artista eu senti que era ali que estaria minha via de criação. O encontro com a Elenira foi muito feliz! Nós duas queríamos criar e a grande motivação para nós foram os nossos pequenos.

Como era seu trabalho antes e como é agora?
A escolha pela temática da infância na arte tem sido muito inspiradora. O trabalho amadureceu, tem uma nova forma de olhar. Hoje as criações acontecem com mais base e profundidade. Estamos tirando a matéria-prima do trabalho das nossas vivências e questionamentos, não só como mães, mas como artistas interessadas na criança pequena. Costumo dizer que a maternidade me fez uma artista melhor e espero que o inverso também seja verdadeiro. [risos]

Você realizou o que queria quando resolveu empreender?
Sim! Em dois anos, construímos nosso primeiro espetáculo chamado “O que eu sonhei?”, idealizamos uma mostra de Arte no Centro Cultural São Paulo, “Conversas Poéticas entre Arte e Bebês”, agregamos ao redor do nosso trabalho muita gente bacana que está pensando a infância de uma maneira mais sensível e fizemos contato com um público com quem temos uma troca muito profunda e carinhosa. Acho que isso é realização! Agora só falta uma temporada da peça em cartaz para compartilharmos mais do nosso trabalho. Estamos trabalhando muito para isso.

Quais as facilidades e dificuldades de empreender sendo mãe?
Em matéria de fazer Teatro, nada é muito fácil. Tem todas aquelas dificuldades de sempre: conciliar os horários de ensaio com a rotina familiar; o tempo de construção de um espetáculo, que é longo e cansativo; as políticas culturais limitadas; a falta de editais de apoio ao processo e a pesquisa; e, no nosso caso, a dificuldade maior é desbravar um segmento pouco conhecido no Brasil que é essa categoria de Teatro para bebês. A facilidade é que a maternidade acaba trazendo um olhar muito mais atento e criativo para a vida, o que para o trabalho artístico é um ganho.

O que é empreendedorismo materno para você?
Empreendedorismo e maternidade são palavras que combinam muito bem! Empreender é coisa que toda mãe acaba descobrindo que sabe fazer, de uma maneira ou de outra. Passei a entender a maternidade também como um momento extremamente produtivo, onde todos os esforços estão voltados para o que realmente interessa. Seja abrir um negócio ou colocar uma simples ideia em prática.

Na sua opinião, por que as mães optam por este formato de trabalho?
A experiência de ter um filho é transformadora, normalmente muda completamente o foco de interesse na vida. Você quer por a mão na massa e ir à luta porque o instinto de melhorar a si mesmo e ao mundo começa a falar mais alto. Acho que algumas mulheres mais inquietas aproveitam essa deixa para canalizar a energia na retomada do trabalho! E não é coisa só de mulher, hein! Tem um amigo meu que foi estudar Filosofia, porque queria ter fundamentos para conversar com o filho!

Gostou do trabalho da Fafi?
Entre em contato com ela!

Fafi Prado 
11 9654 8091
www.ciazin.blogspot.com
teatroparabbs@gmail.com

Consulte nosso banco de dados de mães empreendedoras e apóie a campanha “Contrate uma mãe empreendedora”

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Tatiana promove uma "ciranda materna" com mães e bebês dançando juntos

Tatiana Tardioli é mãe de Nina, e a dança – enquanto grávida e já com sua filha nos braços - a despertou para o trabalho que realiza hoje com gestantes, mães e bebês. Ela é idealizadora da Dança Materna, onde mães, grávidas e pais dançam com seus filhos. A iniciativa surgiu do desejo de proporcionar para outras mulheres os benefícios de que ela desfrutou quando dançava com a filha. Além disso, de uma vontade de fazer algo que possibilitasse que ela ficasse mais tempo com sua bebê. Houve percalços, mas o lado bom é ressaltado por ela: “Sinto-me muito realizada por ser uma mãe absolutamente presente”, diz. O apoio do marido foi fundamental. Assim como a certeza do que queria e a força de vontade para realizar. Para Tatiana, a grande dica que fica para outras mães que desejam empreender é “faça!”:  “estude e desenvolva as competências necessárias para o que quer empreender, siga sua intuição e não se deixe desanimar por pessoas queiram desencorajá-la”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista com Tatiana e assista aqui ao vídeo em que ela fala sobre empreendedorismo materno e conta um pouco de sua história.

Tatiana com Nina. Foto: Gustavo Ferri
Blog EM: Conte um pouco sobre a sua iniciativa: como surgiu, por que, com qual motivação, a partir de que...
Tatiana: Surgiu do desejo de compartilhar com outras mulheres os benefícios que eu mesma experimentei dançando grávida e depois, com minha filha.  E da decisão de trabalhar num regime que possibilitasse passar mais tempo com ela do que eu poderia da forma como trabalhava antes. Inicialmente, eu pensei num curso de Dança para Gestantes, e a Ana Cristina Duarte, que acompanhou meu parto como doula, sugeriu desenvolver uma proposta para Mães com Bebês. Eu adorei a idéia, trabalhei na concepção das abordagens e parti para a prática.

Como era seu trabalho antes e como é agora? Você realizou o que queria quando resolveu empreender?
Eu já dançava profissionalmente e dava muitas aulas de dança antes de ser mãe há mais de 10 anos. Tinha estudado e trabalhado com supervisão de fisioterapeutas. Todo esse repertório anterior foi super importante, a base para desenvolver o trabalho. Como mãe e como profissional, comecei a estudar mais sobre os bebês, e isso também foi muito importante pra trazer consistência à proposta.  Atualmente, continuo dançando. Estreei em 2010 um solo de dança chamado PARTO, e me divido entre ensaios e as aulas da Dança Materna. Gosto muito de trabalhar também com outros públicos e continuo fazendo isso, mas em projetos especiais, por exemplo, quando sou contratada para uma temporada de aulas. Esse ano, comecei a ser solicitada para palestras e estou estudando um formato de multiplicação para outras cidades do Brasil, com acompanhamento e supervisão dos trabalhos,  porque são aulas com um público que requer cuidados e conhecimentos específicos - e acho muito importante ressaltar isso. Acho que ainda estou realizando e que para três anos de trabalho estou bem. O fato de ser um trabalho pioneiro no Brasil despertou bastante curiosidade das pessoas e da imprensa e isso ajudou a trazer visibilidade, que é um aspecto bem importante.

Visite o blog da Dança Materna
Quais as facilidades e dificuldades de empreender sendo mãe?
No meu caso, viabilizou que eu ficasse com minha filha também em parte do meu tempo de trabalho, já que ela me acompanhou nas aulas até 1 ano e 3 meses e isso foi maravilhoso. Eu acho que no início a presença dela além de ser prazerosa e importante para ambas, ajudou a criar uma empatia com as mães que começaram a frequentar as aulas. Essas foram as facilidades. A dificuldade foi não conseguir de imediato contribuir tanto quanto antes pro orçamento familiar, até pelo fato de ter sido uma mudança motivada pela maternidade e não planejada antes. Na gravidez, eu chegava a trabalhar 16 horas por dia e, quando minha filha nasceu, caiu a ficha de que eu não conseguiria e não queria ficar tanto tempo longe dela.

Qual o lado bom e o lado ruim?
O bom é que tenho horário mais flexível e consegui cumprir minha meta de ficar com ela, com tempo em quantidade e de qualidade, até hoje, que ela tem 3 anos e meio. Sinto-me muito realizada por ser uma mãe absolutamente presente. Meu marido é um cara muito especial e que me apoiou e topou a sobrecarga de ser o principal responsável pelo sustento da família enquanto fosse necessário e isso foi muito importante pra mim. Acho que quando a mulher quer uma mudança desse tipo, o casal tem que conversar muito sobre os prós e os contras, mas a decisão no fundo é da mulher mesmo.  Eu banquei a decisão de viver com menos grana, viagens e outras coisas que gosto de fazer, e isso foi parte do nosso acordo, porque a prioridade era nossa decisão sobre como acompanhar o crescimento da Nina.

Na sua opinião, por que as mães optam por empreender?
Necessidade pessoal de priorizar presencialmente os cuidados com os filhos. Insatisfação com questões anteriores no que se refere à carreira e desejo de fazer algo com que se identifique mais.

Você acha este fenômeno algo positivo ou negativo para a vida das mulheres?
Positivo, desde que nasça de uma necessidade autêntica da mulher. Tem que querer.

É um modo sustentável de conciliar carreira e maternidade?
Sustentabilidade é uma busca eterna. Eu não conseguiria terceirizar tanto os cuidados com ela tão pequena e vendo minha filha hoje, sinto que fiz a escolha certa para nós. Financeiramente, tem que pensar que o retorno cresce a médio e longo prazo.

Que dica daria a quem quer se tornar uma mãe empreendedora?
Que o faça! Que estude e desenvolva as competências necessárias para o que quer empreender, siga sua intuição e não se deixe desanimar por pessoas queiram desencorajá-la.

Gostou do trabalho da Tatiana?
Entre em contato com ela!
www.dancamaterna.com.br
tatiana@dancamaterna.com.br
11- 8586-6094